“Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura… para nos lembrar que o amor é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura”
O recomeço da escrita, quando as palavras me fogem pela boca desenfreadas, apressadas para serem postas no papel. A escrita como refúgio de tudo na vida, de amores e desamores, de ilusões e desilusões, de sonhos e pesadelos. Estes são os pontos fulcrais, pelos quais me guio. Até que chego a uma fase, uma fase inexplicável em que não posso mais pensar, tudo o que era certo se tornou errado, e parei de escrever.
Mas o que é a vida sem escrever?
Perguntei-me durante imensas noites de insónias em que às 5h da manhã algo faltava, algo não estava simplesmente correcto… Uma paixão vem e vai, morre com o tempo, com o tédio, com as desilusões que a vida nos traz... Mas o que eu senti, não era apenas uma paixão, mas sim um amor, uma obsessão. Uma enorme vontade de escrever. Como se a minha vida dependesse só disso. Como se o meu livro não estivesse a ser escrito e assim o destino da minha vida não estivesse a ser traçado.
Escrever, mas sobre quê? Pergunta habitual na minha cabeça… Sobre o tédio da vida sem a escrita? Sobre o amor como expoente de loucura? Ok... Vou juntar o útil ao agradável… e se realmente a escrita é o meu amor então em contrapartida também será o meu expoente de loucura, será o meu refúgio, o meu mundo virtual onde posso dizer o que quiser, onde posso ser louca a vontade para expressar tudo o que sinto. Mesmo quando corro o risco de ao publicar tais palavras, palavras que me fizeram voltar ao Meu Mundo e deram reinicio ao meu destino, me expor de tal forma que não consiga mais escrever e volte a congelar tudo a minha volta. Para viver novamente num mundo sem cor, num mundo gelado, sem sentimentos como é o mundo em que todos vivemos…
Descobri finalmente que a escrita é a minha doença e não a minha cura, a minha doença incurável que por vezes me faz sorrir, ou por vezes me faz chorar ao conhecer-me cada vez melhor…
Mas por outro lado, esta é uma doença sem a qual não consigo viver…
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